Uma quase mãe sofre homeopaticamente a dor do parto não parido.
Mais um mês e o sangue do filho que não tive está a ensopar o absorvente.
E eu me contorcendo de dor. Sofro.
Sempre. Por este filho não gerado.
Todo mês me contorço de dor. Todo mês.
Os homens perdem seu sangue em lutas, guerras e desamores, enquanto as mulheres sangram mensalmente o filho não gerado.
Antes sangrar o filho sem vida, que o filho sangrar até a morte aos olhos de uma mãe. Quanta dor!
Quanta dor uma mãe passa ao parir, quanto sangue derramado.
Quanta dor uma quase mãe derrama a cada ciclo lunar,
por ser quase.
preenchimento letraromático despretensioso de lacunas existenciais pululantes e coloridas
3.11.08
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