Eu não sei por que os humanos têm mania de achar que sabem o que estão fazendo. Comportam-se como grandes sabedores conscientes de seus atos e palavras. Tem até os que recebem títulos designando sua sabedoria ou sua posição de sabedor.
São todos cagões de reto frouxo tremeliques e gagos diante de qualquer alheio. Por mais ostentosa e firme que seja a palavra ou o ato, é apenas condicionamento, treino, mas lá dentro de si o reto está a afrouxar. Até mesmo o ator, que é profissional em atuar, ensaia, ensaia e na hora de atuar se treme todo, mas não perde a pose e nem mostra que está mostrando.
Uns sempre a achar que o outro é quem sabe ou não sabe e assim baseiam-se a si mesmos. Que professor não entra na sala de aula sem saber ao certo o que dizer, nem se lembrou de preparar a aula e diz qualquer coisa mesmo, afinal ninguém nem vai notar, basta ostentar? E o aluno acha a resposta para si na palavra do sem-noção e vai repetir pra vizinha, dizendo que entende do assunto. Esta pobre nem ouviu, mas concordou, pois jamais ia discordar do bom entendedor. Virou as costas e vomitou pro filho que precisa estudar pra ser algum que é lá. O filho duvida, mas acaba aceitando, afinal seu avô, muito experiente, diz que é assim mesmo para vencer o que for. Nem sabe o que venceu ou o que perdeu, mas a barba branca lhe dá o direito de dizer como fazer, afinal o que sabe uma criança? O que esta diz nem tem valor, só pra risos basta, mesmo que pro momento seja seu devaneio a palavra mais sábia. Mas o sábio é aquele mais repetido, que numa hora perdeu o juízo e embaralhou os papéis. Estes foram achados pela cozinheira que achou tão lindas as palavras, embora não soubesse ler. Mas foi assim que saiu sua comida e a receita assinou algum gurmet, dizendo que foi inspiração sua.
Um buscando no outro sua firmação de bom, sábio, louco ou vilão. Qualquer título que melhor calhar pra ser mais ou ser menos de acordo com o passamento. Só não se pode é se afirmar, não importando a quem é o olhar, com saber ou sem saber, simplesmente sendo o que é possível no momento.
É por este teatro de cagões perfumados que se baseia a nobreza de ser humano.
A humanidade não está nesta cagandade fétida adornada como que para presente de natal. Está no cru, sem título, sem máscara, sem nome, no olho sem pisco, na alma sem visco.
Tá em tu, seu cagão? Ou na tua, sera cagona?
preenchimento letraromático despretensioso de lacunas existenciais pululantes e coloridas
6.11.08
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1 adubações:
Amei! É o manifesto da cagandade!
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