preenchimento letraromático despretensioso de lacunas existenciais pululantes e coloridas

9.12.08

Assassinato acidental de um louva-deus.


Meu Deus, matei um louva-deus
Afogado nas espumas de um tanque de lavar roupas
Foi um acidente
Estava escondido no pano de prato sujo dobrado
Aberto pela jato estirado d’água
Quando notei já havia ingerido quantidade
Suficiente de sabão em pó em espuma em água
O pobre inocente pensei eu ser um minúsculo pedaço de galho
Embaçado pela miopia sem óculos
O petelequei coitado para desobstruir o esfregar dos dedos contra o pano
Quando o notei salvá-lo ainda tentei em vão tirando-o da inundação
Colocando-o em local seguro e o assoprando para secar mais rápido
Pensei em fazer uma respiração boca a boca mas fiquei
Com medo de engoli-lo numa aspiração além
De não saber onde estava a sua boca de fato
Perdoe-me pobre galho animado morto com as mãos
Unidas em oração com bolhas de omo dupla-ação
Foi sem querer confesso que juro tentei salvá-lo estupidamente em vão

2 adubações:

Clara, Clarissa.. disse...

mas para ele ficou este tão lindo póstumo poemão...acho que louva deus nas alturas, sorri.

Que nome disse...

"O petelequei" huahahuahuahauahuua! Ótima essa! Gostei.

Inaiá