o menino aflorou
flor transparente leve
cheiro suave de pele
seca pelo sol
com olhos brilhantes
de cativar dó
e puxar pro colinho
um mimo em silêncio
em mãos quase tocando
música soturna
de embalar coração
menino véio perdido nos
fios brancos do rosto raspado
procurando lugar pra jogar peteca
em meio a sapatos polidos e
discursos bem servidos
falando de cores e amores
a cegos e truculentos
perdido nos sentimentos
entre suave e intenso
escapa à verdade
teimoso e insistente.
Deixe-me ver o menino
com olhos de colinho
palavras sem censura
e gestos de candura.
Deixa, vai?
preenchimento letraromático despretensioso de lacunas existenciais pululantes e coloridas
22.11.08
ostreicultura
Seu passado é hoje meu presente, onde mergulho e, delicadamente, abro ostras, pinçando suas pérolas. Lustro-as. Escolho o melhor adorno para expô-las, evidenciando o brilho, a textura, deixando livre para o tato contempla-la sobremaneira. Faço peças sublimes, nas quais solitariamente reluzem. Em outras mesclo sua beleza a pedrarias diversas, dificultando sua evidência, mas atraindo apenas os mais refinados e atentos olhares.
Tudo que não é pinçado passa. Existiu e no passado ficou. A mim interessam apenas as pérolas, o resto restou. E no atempo que me resta misturo passado seu que não vivi com passado meu quase esquecido, fazendo das mais belas pérolas encontradas um colar de galardão. Este é meu presente – fazer de seu passado meu legado e deste presente um futuro emperolado.
Tudo que não é pinçado passa. Existiu e no passado ficou. A mim interessam apenas as pérolas, o resto restou. E no atempo que me resta misturo passado seu que não vivi com passado meu quase esquecido, fazendo das mais belas pérolas encontradas um colar de galardão. Este é meu presente – fazer de seu passado meu legado e deste presente um futuro emperolado.
17.11.08
Chico ainda vive mesmo!
hoje verti tétrades diminutas pelo vão das minhas janelas anímicas amparada nos ombros de uma seringueira por ler vida transbordante em letras desabafadas desenbaçadas e estupendamente verdadeiras...
estou mais viva.
estou mais viva.
11.11.08
Não toque o meu lumbago
Se me contentasse com um se apenas
Já seremia sorriso reluzente
Que pra nada de contente grita mudo
Com lábios coloridos de imundos
Sons afanados dos seis lás quaisquer
Brutos curvos baixos e fétidos
Desejos amargos sobressalentes
Ao império oftálmico fundo e claro
Da única passagem anímica à dentro
Da procela onde trago algo que lhe preste
Verdadeiramente útil e muito além desta prosápia
Mas bem sei que não interessa
Tampouco a mim sua prosopopéia
Desejo muito antes a permissividade
Da profunda cárdio intimidade
Ao mero profano toque em meu lumbago
Já seremia sorriso reluzente
Que pra nada de contente grita mudo
Com lábios coloridos de imundos
Sons afanados dos seis lás quaisquer
Brutos curvos baixos e fétidos
Desejos amargos sobressalentes
Ao império oftálmico fundo e claro
Da única passagem anímica à dentro
Da procela onde trago algo que lhe preste
Verdadeiramente útil e muito além desta prosápia
Mas bem sei que não interessa
Tampouco a mim sua prosopopéia
Desejo muito antes a permissividade
Da profunda cárdio intimidade
Ao mero profano toque em meu lumbago
9.11.08
bom dia da brasiltelecom
6:30 da manhã liga pela 5ª vez no mês a BrasilTelecom fazendo a mesma cobrança:
- Por gentileza, a senhora Natália se encontra?
- Sou eu (semi-acordada, rouca)
- Bom dia, dona Natália, aqui é Marina da BrasilTelecom. Estou ligando para informar à senhora que consta pendente em nosso sistema a fatura com vencimento em 10 de outubro. A senhora ...
- Eu já paguei.
- Quando, dona Natália?
- Estes dias aí, não lembro, esta semana...
- Não consta em nosso sistema o pagamento desta fatura, dona Natália.
- Mas eu já paguei...
- Que dia eu posso estar agendando o pagamento desta fatura, caso a senhora não tenha pago?
- Você acha que eu estou mentindo?
- Não consta em nosso sistema, dona Natália.
- Então é problema do sistema e não meu.
- Muito obrigada pela sua gentileza em me tratar!
- De nada...
- Grossa!!!
- ...?!
- Por gentileza, a senhora Natália se encontra?
- Sou eu (semi-acordada, rouca)
- Bom dia, dona Natália, aqui é Marina da BrasilTelecom. Estou ligando para informar à senhora que consta pendente em nosso sistema a fatura com vencimento em 10 de outubro. A senhora ...
- Eu já paguei.
- Quando, dona Natália?
- Estes dias aí, não lembro, esta semana...
- Não consta em nosso sistema o pagamento desta fatura, dona Natália.
- Mas eu já paguei...
- Que dia eu posso estar agendando o pagamento desta fatura, caso a senhora não tenha pago?
- Você acha que eu estou mentindo?
- Não consta em nosso sistema, dona Natália.
- Então é problema do sistema e não meu.
- Muito obrigada pela sua gentileza em me tratar!
- De nada...
- Grossa!!!
- ...?!
8.11.08
recomendação insana
Gente, se vocês estiverem querendo rir, mas rir muito, visitem este site constantemente atualizado com pérolas do diálogo entre humanos!
www.insanus.org/conversas/
www.insanus.org/conversas/
6.11.08
ser humano e sera humana
Eu não sei por que os humanos têm mania de achar que sabem o que estão fazendo. Comportam-se como grandes sabedores conscientes de seus atos e palavras. Tem até os que recebem títulos designando sua sabedoria ou sua posição de sabedor.
São todos cagões de reto frouxo tremeliques e gagos diante de qualquer alheio. Por mais ostentosa e firme que seja a palavra ou o ato, é apenas condicionamento, treino, mas lá dentro de si o reto está a afrouxar. Até mesmo o ator, que é profissional em atuar, ensaia, ensaia e na hora de atuar se treme todo, mas não perde a pose e nem mostra que está mostrando.
Uns sempre a achar que o outro é quem sabe ou não sabe e assim baseiam-se a si mesmos. Que professor não entra na sala de aula sem saber ao certo o que dizer, nem se lembrou de preparar a aula e diz qualquer coisa mesmo, afinal ninguém nem vai notar, basta ostentar? E o aluno acha a resposta para si na palavra do sem-noção e vai repetir pra vizinha, dizendo que entende do assunto. Esta pobre nem ouviu, mas concordou, pois jamais ia discordar do bom entendedor. Virou as costas e vomitou pro filho que precisa estudar pra ser algum que é lá. O filho duvida, mas acaba aceitando, afinal seu avô, muito experiente, diz que é assim mesmo para vencer o que for. Nem sabe o que venceu ou o que perdeu, mas a barba branca lhe dá o direito de dizer como fazer, afinal o que sabe uma criança? O que esta diz nem tem valor, só pra risos basta, mesmo que pro momento seja seu devaneio a palavra mais sábia. Mas o sábio é aquele mais repetido, que numa hora perdeu o juízo e embaralhou os papéis. Estes foram achados pela cozinheira que achou tão lindas as palavras, embora não soubesse ler. Mas foi assim que saiu sua comida e a receita assinou algum gurmet, dizendo que foi inspiração sua.
Um buscando no outro sua firmação de bom, sábio, louco ou vilão. Qualquer título que melhor calhar pra ser mais ou ser menos de acordo com o passamento. Só não se pode é se afirmar, não importando a quem é o olhar, com saber ou sem saber, simplesmente sendo o que é possível no momento.
É por este teatro de cagões perfumados que se baseia a nobreza de ser humano.
A humanidade não está nesta cagandade fétida adornada como que para presente de natal. Está no cru, sem título, sem máscara, sem nome, no olho sem pisco, na alma sem visco.
Tá em tu, seu cagão? Ou na tua, sera cagona?
São todos cagões de reto frouxo tremeliques e gagos diante de qualquer alheio. Por mais ostentosa e firme que seja a palavra ou o ato, é apenas condicionamento, treino, mas lá dentro de si o reto está a afrouxar. Até mesmo o ator, que é profissional em atuar, ensaia, ensaia e na hora de atuar se treme todo, mas não perde a pose e nem mostra que está mostrando.
Uns sempre a achar que o outro é quem sabe ou não sabe e assim baseiam-se a si mesmos. Que professor não entra na sala de aula sem saber ao certo o que dizer, nem se lembrou de preparar a aula e diz qualquer coisa mesmo, afinal ninguém nem vai notar, basta ostentar? E o aluno acha a resposta para si na palavra do sem-noção e vai repetir pra vizinha, dizendo que entende do assunto. Esta pobre nem ouviu, mas concordou, pois jamais ia discordar do bom entendedor. Virou as costas e vomitou pro filho que precisa estudar pra ser algum que é lá. O filho duvida, mas acaba aceitando, afinal seu avô, muito experiente, diz que é assim mesmo para vencer o que for. Nem sabe o que venceu ou o que perdeu, mas a barba branca lhe dá o direito de dizer como fazer, afinal o que sabe uma criança? O que esta diz nem tem valor, só pra risos basta, mesmo que pro momento seja seu devaneio a palavra mais sábia. Mas o sábio é aquele mais repetido, que numa hora perdeu o juízo e embaralhou os papéis. Estes foram achados pela cozinheira que achou tão lindas as palavras, embora não soubesse ler. Mas foi assim que saiu sua comida e a receita assinou algum gurmet, dizendo que foi inspiração sua.
Um buscando no outro sua firmação de bom, sábio, louco ou vilão. Qualquer título que melhor calhar pra ser mais ou ser menos de acordo com o passamento. Só não se pode é se afirmar, não importando a quem é o olhar, com saber ou sem saber, simplesmente sendo o que é possível no momento.
É por este teatro de cagões perfumados que se baseia a nobreza de ser humano.
A humanidade não está nesta cagandade fétida adornada como que para presente de natal. Está no cru, sem título, sem máscara, sem nome, no olho sem pisco, na alma sem visco.
Tá em tu, seu cagão? Ou na tua, sera cagona?
3.11.08
o filho não gerado
Uma quase mãe sofre homeopaticamente a dor do parto não parido.
Mais um mês e o sangue do filho que não tive está a ensopar o absorvente.
E eu me contorcendo de dor. Sofro.
Sempre. Por este filho não gerado.
Todo mês me contorço de dor. Todo mês.
Os homens perdem seu sangue em lutas, guerras e desamores, enquanto as mulheres sangram mensalmente o filho não gerado.
Antes sangrar o filho sem vida, que o filho sangrar até a morte aos olhos de uma mãe. Quanta dor!
Quanta dor uma mãe passa ao parir, quanto sangue derramado.
Quanta dor uma quase mãe derrama a cada ciclo lunar,
por ser quase.
Mais um mês e o sangue do filho que não tive está a ensopar o absorvente.
E eu me contorcendo de dor. Sofro.
Sempre. Por este filho não gerado.
Todo mês me contorço de dor. Todo mês.
Os homens perdem seu sangue em lutas, guerras e desamores, enquanto as mulheres sangram mensalmente o filho não gerado.
Antes sangrar o filho sem vida, que o filho sangrar até a morte aos olhos de uma mãe. Quanta dor!
Quanta dor uma mãe passa ao parir, quanto sangue derramado.
Quanta dor uma quase mãe derrama a cada ciclo lunar,
por ser quase.
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