preenchimento letraromático despretensioso de lacunas existenciais pululantes e coloridas

17.12.08

eternizando

quanto tempo dura a eternidade? parece-me tão eterna que nem consigo imaginar. acho que estou eternizada. momentaneamente apenas. ou eternizei isto. sim, foi isto. eternizei um momento. é ele eterno, portanto? e como sou sendo eterna num momento eterno? ou um momento sendo eterno na minha eternidade? será que isto vai durar eternamente?

14.12.08

Presente

Sim, que parece loucura eu já sei, só não sei se é de fato, isso eu não sei, pois tampouco importa de qualquer forma, pois sinto e isto sim é fato. Por quanto ainda carregarei tal fato em mim, ocupando porcentagem relevante de mim mesma, também não sei. Sei apenas que acredito, ou ao menos quero acreditar ou acredito piamente com medo severo de afirmar tal crença de que irei sim saber se é real ou não este fardo. Ah, como creio e ainda mais quero crer ser real sabê-lo ser. Sei sim não ser real deixá-lo não ser em mim, pois parte grande, eu diria até, parte de mim não existe ou existiria sem ti em mim agora. Sou-te como fui-te e até quando serei não é possível dizer até que me deixe claramente saber que nunca fui sou ou serei para ti qualquer coisa que alimento naturalmente ser.
Que mais posso lhe dar além de palavras escritas em vidros embaçados?

12.12.08

se

Queria lhe dar uma canção a lá Chico Buarque cantada no ouvido dentro de uma banheira cheirando à erva-doce e jasmim.

11.12.08

Ritual para o fim do dia

Luzes natalinas vistas a 50 km/h
Pimenta para compensar a ausência
Caminhada rumo ao sorvete
Observação da água a descer
Arrepiar levemente com a brisa fria
Sentir a chuva vindoura
Desaguar na curva do rio
Suspirar
Cantar uma canção criada para o momento
Desafinar e desistir
Focar o olhar num desfoco que passa
Fazer parte acidental da foto de um turista
Espreguiçar o cansaço e jogá-lo ao ar
Dar num passo 300 giros sufis
Ou 72 movimentos tai
47 assanas ou duas mil preces
Ou um bocejo basta
Para este dia
Boa noite

9.12.08

Assassinato acidental de um louva-deus.


Meu Deus, matei um louva-deus
Afogado nas espumas de um tanque de lavar roupas
Foi um acidente
Estava escondido no pano de prato sujo dobrado
Aberto pela jato estirado d’água
Quando notei já havia ingerido quantidade
Suficiente de sabão em pó em espuma em água
O pobre inocente pensei eu ser um minúsculo pedaço de galho
Embaçado pela miopia sem óculos
O petelequei coitado para desobstruir o esfregar dos dedos contra o pano
Quando o notei salvá-lo ainda tentei em vão tirando-o da inundação
Colocando-o em local seguro e o assoprando para secar mais rápido
Pensei em fazer uma respiração boca a boca mas fiquei
Com medo de engoli-lo numa aspiração além
De não saber onde estava a sua boca de fato
Perdoe-me pobre galho animado morto com as mãos
Unidas em oração com bolhas de omo dupla-ação
Foi sem querer confesso que juro tentei salvá-lo estupidamente em vão

2.12.08

Criação de um espaço circunspectro material vazio cheio de imatéria.

Paredes vitrificadas
Torre em morro alto
Sol de cá pra lá
Lua de quando em vez

Eu................ Seu
Nua...... o ....Nada
...........(ou)
Nada.....u ....Nua
Seu.............. Eu

Que cheio me esvazia
Que vazio me enche

.................Circuns
.....ferido ferência fadado
imatéria apalavra inimage
.................Nada