Um dia cinza e chuvoso traz-me lembranças de um outro lado, aquele úmido e salgado, embaçado e recorrente.
As folhas verdes silenciam e se curvam para a água constante num gesto de respeito.
Minha alma vaga transparente, invisível, intocável, muda, ausente, quase inexistente senão fosse a fina camada envolvente como a que faz da água uma gota.
Este resto de mim que é tudo que me resta resvala escorre e discorre rasgando água por entre chuvas em busca de ruídos suaves de vida vinda
E como o fim está longe de ser agora, a chuva permanece me molhando e eu não me incomodo só por ser molhada e nem por outro motivo, simplesmente não me incomodo, me calo, meu mundo, me mudo e permaneço contando gota a gota, sentindo cada pedaço de pele escorrido de água com pelo eriçado de um pouco de arrepio do frio causado por esta sensação interminável de gota a gota molhando meu mudo calo.
E eu como as folhas com meus olhos verdes, e o céu com meus olhos azuis, mesmo cinzas os olhos o céu o seu olhar em mim sem notícia, perspectiva, novidade, surpresa, amizade ou qualquer algo não úmido, morno e cinza.
1 adubações:
faz amizade com o mundo.
deixa que todos esses sentimentos-sensações jogados ao mundo sejam mundo e não mais. o mundo feito sentimentos, não menos. a gente feito mundo.
vai pra chuva e vira chuva.
e perceba que a chuva também se curva para as folhas. e para os olhos. a chuva se curva, Natalia. chuva-Natalia.
como se curvam nossos sentimentos a essas palavras. e as palavras mais que curvam, dançam por nós.
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