preenchimento letraromático despretensioso de lacunas existenciais pululantes e coloridas

6.2.09

Como fim de chuva

Um dia cinza e chuvoso traz-me lembranças de um outro lado, aquele úmido e salgado, embaçado e recorrente.

As folhas verdes silenciam e se curvam para a água constante num gesto de respeito.

Minha alma vaga transparente, invisível, intocável, muda, ausente, quase inexistente senão fosse a fina camada envolvente como a que faz da água uma gota.

Este resto de mim que é tudo que me resta resvala escorre e discorre rasgando água por entre chuvas em busca de ruídos suaves de vida vinda

E como o fim está longe de ser agora, a chuva permanece me molhando e eu não me incomodo só por ser molhada e nem por outro motivo, simplesmente não me incomodo, me calo, meu mundo, me mudo e permaneço contando gota a gota, sentindo cada pedaço de pele escorrido de água com pelo eriçado de um pouco de arrepio do frio causado por esta sensação interminável de gota a gota molhando meu mudo calo.

E eu como as folhas com meus olhos verdes, e o céu com meus olhos azuis, mesmo cinzas os olhos o céu o seu olhar em mim sem notícia, perspectiva, novidade, surpresa, amizade ou qualquer algo não úmido, morno e cinza.

1 adubações:

Z - Ele Está Vivo! disse...

faz amizade com o mundo.

deixa que todos esses sentimentos-sensações jogados ao mundo sejam mundo e não mais. o mundo feito sentimentos, não menos. a gente feito mundo.

vai pra chuva e vira chuva.

e perceba que a chuva também se curva para as folhas. e para os olhos. a chuva se curva, Natalia. chuva-Natalia.

como se curvam nossos sentimentos a essas palavras. e as palavras mais que curvam, dançam por nós.