preenchimento letraromático despretensioso de lacunas existenciais pululantes e coloridas

17.2.09

Sinais de repulência no ar

Começa assim:
Não é o cheiro que acusa e sim o arrepio no esôfago antecessor a ele.
Em seguida o famoso tremelico de nuca, que por consequência remelexe as laterais do queixo quase embaixo das orelhas.
Concomitantemente, um esbanjar de olhos inertes, indiferentes, insossos, infalíveis.
Ademais a negação, tomando conta de todo o corpo. A mais pura e gélida não aceitação típica da inexperiência ou esgotamento de uso. Abuso. De um só mais um pouquinho dilacerado ou de um acelerado não é isto.
Excesso. Caminho. Abalo. Triscado. E tudo de novo novamente.
Nem que seja em pensamento. Somente. Apenas isso. Talvez, baste. Desembeste.
Mas.
Nada que não se resolva, ora ora. Ora!
Hora que nenhuma nada que vápraqueponcapericécatiquepaviu.
Mas calma.
Aí senta, no chão mesmo, porque cadeira é invenção de preguiçoso, e espera o dia findar matando carapanã e coçando o pé. Depois levanta e se balança porque ficar acomodado é coisa de quem se incomoda e o lance da tal repulência é balançar no balanço, se é que você está me entendendo. E tem muita coisa pra fazer, ó, dá uma olhada aí, ó:

Balanço

Substantivo masculino.
1.Ato ou efeito de balançar; balouço.
2.Movimento oscilatório; abalo, balouço.
3.Alteração, agitação.
4.Fig. Levantamento de uma situação; exame: O técnico fez um balanço da atuação do time.
5.Verificação ou resumo de contas comerciais.
6.Verificação da receita e da despesa.
7.Cont. Registro contábil da posição patrimonial de uma organização, em dado momento, indicando a origem (passivo) e a aplicação (ativo) de seus recursos.
8.Designação genérica dos aparelhos ou brinquedos que servem para as crianças se balançarem; balouço.
9.Aparelho que consiste num assento composto de travessa, tábua e cadeirinha, suspenso pelas extremidades por cordas ou correntes, onde as pessoas se sentam para se balançarem; balouço. [Sin., lus., nesta acepç.: embalo.]
10.P. ext. V. retouça.
11.Arquit. Saliência ou corpo avançado do edifício, em relação às prumadas das colunas, pilastras, paredes, etc., de sustentação; avançamento.
12.Astron. Movimento de um veículo espacial em torno de seu eixo longitudinal.
13.Constr. Nav. Projeção ou prolongamento de uma estrutura pesada, além da sua base de sustentação.
14.Mar. Movimento pendular da embarcação, causado pela agitação ou ondulação das águas em que flutua.
15.Tec. Ato ou efeito de equilibrar adequadamente a intensidade dos canais de som numa gravação, transmissão ou reprodução sonora.

6.2.09

Como fim de chuva

Um dia cinza e chuvoso traz-me lembranças de um outro lado, aquele úmido e salgado, embaçado e recorrente.

As folhas verdes silenciam e se curvam para a água constante num gesto de respeito.

Minha alma vaga transparente, invisível, intocável, muda, ausente, quase inexistente senão fosse a fina camada envolvente como a que faz da água uma gota.

Este resto de mim que é tudo que me resta resvala escorre e discorre rasgando água por entre chuvas em busca de ruídos suaves de vida vinda

E como o fim está longe de ser agora, a chuva permanece me molhando e eu não me incomodo só por ser molhada e nem por outro motivo, simplesmente não me incomodo, me calo, meu mundo, me mudo e permaneço contando gota a gota, sentindo cada pedaço de pele escorrido de água com pelo eriçado de um pouco de arrepio do frio causado por esta sensação interminável de gota a gota molhando meu mudo calo.

E eu como as folhas com meus olhos verdes, e o céu com meus olhos azuis, mesmo cinzas os olhos o céu o seu olhar em mim sem notícia, perspectiva, novidade, surpresa, amizade ou qualquer algo não úmido, morno e cinza.

impenetrável mármore negro – um lapso de episódio quase fictício

Muito além do bom dia de um impenetrável mármore negro espelho para o branco dos olhos desespero para pupilas, quiçá um dia a chuva penetrar os vãos cerrados do sedoso impenetrável mármore disfarçado, quiçá permanecer à chuva desincomodado molhado encharcado mudo calado, sorrindo e saltitando.

No fluido

“O paradigma positivista é tão persuasivo que, por definição, quem o utiliza não pode ver que existem outras alternativas. A posição absolutista do positivismo exclui outras possibilidades. No entanto, o positivismo é apenas uma das várias maneiras de descrever o mundo. O que é necessário são formas pluralísticas de pensar sobre o mundo e agir para mudá-lo.” (Pimbert e Pretty)

Aproveitando o fluido ainda presente do Fórum Social Mundial de Belém, o qual levantou diversas bandeiras, cujo balangar é acompanhado pelo eco de um mesmo refrão: “um outro mundo é possível”.
Não tenho dúvidas de que um outro mundo ou mesmo uma nova forma de se lidar com este mundão velho seja possível, mas convenhamos que para possibilitar qualquer mudança é necessário um bom exercício de desapego além da conscientização, força de vontade e um bom chá de semancol.
Suponhamos que num sorteio de urgências a serem modificadas, quando não implodidas completamente, tivéssemos sorteado as Universidades - organismo legitimador do nosso atual e inquestionável paradigma. Afinal, o que seria de nosso sistema econômico e adjacências sem a assinatura de um titulado qualquer confirmando a nobreza, a necessidade e a extrema eficácia de suas ações?

Causos das causas

O causo do vestibular da UFAC é apenas uma fratura exposta num dedinho do organismo. A enfermidade do organismo é generalizada e pouco visível a olhos nus. Pois bem sabemos que as piores doenças são aquelas que não podemos ver superficialmente, tipo tumores internos, infecções sanguíneas, viroses mutantes. Enfim, cancelar um vestibular por ter parcela considerável de suas questões copiadas da internet, bem como um tema de redação e ainda por cima ser justificado pela própria reitoria como “coincidência intelectual” é quase um caso para aqueles programas de auditório apimentadores de tragédias e crimes familiares.
Com o vestibular substituto, a rigidez e fiscalização aumentaram para garantir a veracidade do concurso. Interessante observar a quem a rigidez foi aplicada: aos inocentes pleiteadores de vaga, quase impedidos até mesmo de respirar fora do lugar, como se fossem os culpados pelas presepadas que ocasionaram o cancelamento do vestibular.
Outras universidades provavelmente riem do causo, saboreando a enfermidade alheia e alimentando a superioridade com suas mazelas escondidas sob quimioterapias e disfarces afins.

Coordenador de curso desconhecer as disciplinas do curso que coordena; denominar as disciplinas de crédito enquanto os alunos estão sempre em débito; criação de datas e prazos para serem cumpridos e quebrados de acordo com a necessidade dos interessados, lembrando que alunos não pertencem à casta dos interessados. Estes são apenas alguns poucos sintomas da enfermidade do organismo, cuja existência não está sobremaneira vinculada a formar profissionais, muito menos a zelar pela educação de seres humanos – o que não é nenhuma novidade e nem preciso ficar aqui repetindo Paulo Freire e tantos outros Humanos. Aliás, o estudante é um entrave para o funcionamento do organismo. Imaginem, reitores, chefes de área, coordenadores de curso, funcionários, professores, mestre e doutores, quão mais fácil seria a vida acadêmica sem os alunos – esses estorvos ao desenvolvimento da ciência?

Linfócitos

Perdoem-me, amigos professores, vinculados aos tentáculos acadêmicos. Sei que alguns, uma parcela bem, mas bem pequena realmente acredita na educação, distingue estudantes de números e não vive apenas lustrando seus títulos com óleo de peroba desviado do almoxarifado. Nos meus mais de dez anos vinculada a algumas universidades como estudante, passei por um número de 3 ou 4 professores que valeram a pena entre mais de 60, e estes poucos me incentivaram a trabalhar para aprender e estudar aquilo que eu acreditasse.
Desejo boa sorte à mísera parcela que realmente crê e pretende sanar mazelas estando dentro delas, tal qual linfócito guerreando com bactéria. Talvez estes estejam mais próximos de serem doutores, no uso popular da palavra - médicos. Não que médicos curem doenças de fato, mas deixemos esta questão para o próximo sorteio de mudanças urgentes.

“Aprendizado não deveria ser confundido com ensino. Ensino implica transferência de conhecimento a alguém que sabe para alguém que não sabe. Universidades e outras instituições profissionalizantes reforçam o paradigma do ensino dando a impressão que são detentoras do conhecimento que pode ser dispensado ou dado (usualmente por aulas) a um recipiente (o estudante)”. (Pimbert e Pretty)




2.2.09

Conjugação do verbo conjugar


Pretérito Perfeito

Eu sonhei
Tu desejaste
Ele quis
Nós apaixonamos
Vós engravidastes
Eles casaram

Presente do Indicativo

Eu acordo
Tu enjoas
Ele reclama
Nós brigamos
Vós suportais
Eles desistem

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Eu soubesse
Tu fizesses
Ele fosse
Nós conseguíssemos
Vós superásseis
Eles reconhecessem

Futuro do Pretérito

Eu pensaria
Tu ajudarias
Ele (se) humilharia
Nós dialogaríamos
Vós aprenderíeis
Eles tentariam

Futuro do Presente

Eu mudarei
Tu melhorarás
Ele fará
Nós acreditaremos
Vós sereis
Eles amarão

Gerúndio

Vivendo

Particípio

Unido