Não fique chateada. Realmente não é nada pessoal, é apenas apessoame. Por vezes este enfado de parte de mim cai como células gastas ou esfregadas no banho, na coceira, no raspão do limoeiro. Meu desejo profundo de tocar os narizes das pessoas como teclar delete e mais ainda a meu nariz arrebitado, nascido comigo; não me agrada a plástica e não me incomodam os juízos.
Mas, quanto a você, ou, sei lá...nós, sinto muito, ou acho que nem sinto tanto, sentir maior está em não suportar a permanência, a nossa. Então, vou dizer tchau, por enquanto. Afinal a permanência me é impermanente – células que passearão pelos becos e jardins do microcosmo. Ficará lá, adereçada, talvez esteja contigo vez ou outra ou sempre pois me é, na realidade. E não me gosto mais assim, não deixando de te gostar, gosto do que é, mas cheira à passado, foi.
Hoje sonhei com o passado, algo longe longe, se não pelo sonho, jamais lembraria. Não gostei. O passado é meu, mas não é. Foi. Tampouco me importa sua compreensão, minha decisão está feita e sei que não pode fazer nada. Nem eu.
Neste momento de agora quero apenas lamentar o agora. Agora que me vejo tão distante das idealizações fabricadas por meus anseios pueris, puros, inocentes e, por que não, imbecis, ignóbeis, papalvos? Agora que me vejo agora tão longe de agora. Agora que não chego e fico....ora, isto são todas tentativas de te dizer algo que não tenho pra dizer. Pois realmente não sei, o agora toma-me de um jeito que não consigo pensar logicamente, sinto e basta. Suficiente para te dizer até mais, quem sabe um dia tornar-se-á células esvoaçantes. Até mais floraverdefe, tormei-me um sentido mútuo.
preenchimento letraromático despretensioso de lacunas existenciais pululantes e coloridas
6.10.09
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